No
final dos anos 70, o GEIPOT, órgão de
planejamento do Ministério dos Transportes, foi
incumbido de desenvolver um projeto para a Região
Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) que equacionasse
o estrangulamento da capacidade de transporte de cargas
ferroviárias que ocorria na região, eliminasse
as passagens de nível no meio urbano,
cortado pela via férrea, e melhorasse o transporte
ferroviário de passageiros.
Na
RMBH, encontra-se o entroncamento ferroviário
mais importante do País, interligando, sem
alternativa, o Norte ao Sul e o Leste ao Oeste do
Brasil. Por ter que compartilhar numa linha singela
o transporte ferroviário de carga e passageiros,
as vias deste entroncamento apresentavam uma capacidade
limitada de transporte, inferior às demandas
existentes. Face a esses problemas, o GEIPOT desenvolveu
um projeto que buscava uma solução conjunta
para carga e passageiros, duplicando e segregando
as linhas e descartando a idéia anterior, que
era a construção de um anel ferroviário
contornando a RMBH, de custo de implantação
inviável.
O
sistema de transporte urbano de passageiros sobre
trilhos foi projetado na mesma diretriz do leito ferroviário
já existente, reduzindo-se assim, o custo de
implantação e equacionando o problema
da travessia ferroviária da RMBH. A carga foi
mantida em seu leito original, mas com linha exclusiva
e retificação de alguns trechos.
O
projeto foi desenvolvido com os seguintes objetivos
básicos:
· implantar um sistema de transporte urbano
sobre trilhos com características metroviárias
que atendesse à população da
área de influência direta e indireta
das linhas já existentes da RFFSA;
· melhorar as condições operacionais
das linhas de carga que cortam a Região Metropolitana,
eliminando as passagens de nível e ampliando
a capacidade de transporte de 5 milhões de
ton./ano para 30 milhões na primeira fase e
para 60 milhões de ton./ano com a duplicação
da linha;
· racionalizar e modernizar o sistema de transporte
urbano da RMBH, proporcionando maior fluidez ao tráfego
rodoviário, a reconstituição
da malha viária seccionada em nível
pelas vias férreas, economia de combustíveis
e redução dos índices de poluição
sonora e atmosférica.
O
projeto original previa, inicialmente, uma ligação
entre Betim, a oeste, e o bairro São Gabriel,
ao norte de Belo Horizonte, com um ramal para o Barreiro,
a sudoeste, totalizando 60 km de plataforma ferroviária
em faixa totalmente vedada, transposições
inferiores e superiores para veículos e pedestres.
Foram
previstas 22 estações, 25 trens-unidade-elétricas,
oficinas, pátios, terminais de integração
intermodal, instalações de apoio, além
dos sistemas de energia, supervisão, controle
e telecomunicações.
As
obras foram iniciadas em 1981, com um cronograma para
a conclusão em 1986, do trecho definido como
prioritário de 37 km, compreendendo os percursos
Eldorado - São Gabriel com 26,5 km de linha
dupla, incluindo as linhas do pátio de manutenção
do bairro São Gabriel e o ramal Calafate/Barreiro
com 10,5 km.
Os
recursos para implantação do Metrô
deveriam vir do PME (Programa de Mobilização
Energética) e financiamento do Governo Francês
que, por sua vez, se constituía de equipamentos
para os sistemas de sinalização, telecomunicação,
energia e parte do material rodante, com uma contrapartida
do Governo Federal que compreendia as obras civis,
infra-estrutura, superestrutura, desapropriações
e montagem dos trens.
A
parcela dos recursos franceses foi recebida dentro
do cronograma previsto, mas, face ao encerramento
do PME e à falta de definição
de novas fontes de investimentos, os recursos do Governo
Federal cessaram e os cronogramas de obras foram sucessivamente
rolados até 1987, quando as frentes de serviço
foram praticamente desmobilizadas, tendo sido possível
a operação parcial do trecho Eldorado
- Central, com 12,5 km de extensão, sete estações
e uma frota de apenas cinco trens. Diversas obras
complementares de tratamento dos entornos das estações
ficaram por fazer, dificultando o acesso de pedestres
ao sistema e a integração com o sistema
ônibus.
Somente
a partir de 1991, mediante um apoio suprapartidário
no Congresso Nacional, foi possível alocar
recursos no Orçamento da União, retomar
as obras de implantação do Metrô
de Belo Horizonte e a montagem dos 20 trens restantes,
cujos trabalhos haviam sido paralisados em 1986.
Com
a demora na implantação e o crescimento
da RMBH, foram modificados os objetivos e projetos
inicialmente previstos, adequando-os à uma
nova realidade:
· foi postergada a implantação
dos trechos Eldorado-Betim e ramal do Barreiro;
· foi priorizada a extensão do Metrô
para o vetor norte, em direção à
região de Venda Nova, em função
do crescimento e das características de deslocamento
de sua população;
· foram previstas mais quatro estações
no trecho Eldorado - São Gabriel, sendo a de
Vila Oeste e Rodoviária no trecho Eldorado-Central
e a de José Cândido da Silveira e Minas
Shopping, no trecho Horto-São Gabriel. A inclusão
destas novas estações se deve à
concepção de um projeto mais voltado
para o transporte urbano, visando atender melhor as
comunidades na área de influência do
Metrô;
· a partir de Santa Inês, as estações
já não seguem mais o padrão arquitetônico
definido pelo GEIPOT. As novas estações
são mais leves, de menor custo e, sempre que
possível, os elevadores estão sendo
substituídos por rampas;
· foi acatada a sugestão dos órgãos
gestores de transporte da RMBH e da comunidade para
alterar o nome de algumas das novas estações,
para proporcionar melhor orientação
ao usuário. Estas alterações
foram: de Estação Entroncamento para
Rodoviária; de São Paulo para São
Gabriel; de Dona Clara para 1º de Maio e de Heliópolis
para Waldomiro Lobo.
· foi detectada a necessidade de se dar um
tratamento especial aos acessos de pedestres e integração
com o sistema ônibus, sem os quais fica inviabilizada
a plena utilização do Metrô
· as novas passarelas de pedestres possuem
laterais com grades, eliminando o padrão GEIPOT
com o guarda-corpo estrutural todo fechado, são
mais leves, com rampas mais suaves e proporcionam
maior conforto e segurança aos usuários.
A
operação comercial do Metrô de
Belo Horizonte teve início em 1º agosto
de 1986. Nesta época, entraram em operação
seis estações, ligando Eldorado e Lagoinha,
com 10,8 km de linha e apenas três trens. Em
1987, foram incorporados ao trecho a estação
Central e mais dois trens. A partir de 1994 mais onze
trens foram colocados em operação, sendo:
um em 1994, cinco em 1995, quatro em 1996 e um em
2000. A frota de 25 trens foi completada em dezembro
de 2001. As estações foram incorporadas
ao sistema da seguinte forma:
· De Eldorado à Lagoinha agosto/86;
· Central - abril/87;
· Santa Efigênia - abril/92;
· Horto Florestal - dez/92;
· Santa Tereza - dez/93;
· Santa Inês - nov/94;
· José Cândido da Silveira abril/97;
· Minas Shopping - abril/97;
· Vila Oeste julho/99;
· São Gabriel - janeiro/02;
· Primeiro de Maio - Operação
Parcial - abril/02;
· Waldomiro Lobo - Operação Parcial
- julho/02;
· Floramar - Operação Parcial
- julho/02;
· Vilarinho - Operação Parcial
- setembro/02.